BiocharKool · Arquitetura de simbioses produtivas

Um resíduo é apenas um recurso fora do lugar.

Projetamos ciclos locais em que os resíduos orgânicos de um território voltam a ser alimento, adubo, calor e solo vivo, na ordem certa.

O problema: transformamos num nível baixo demais

Compostar cascas comestíveis, colocar esterco fresco num biodigestor, queimar lenha para cozinhar: a cada vez, destruímos um valor nutritivo cuja produção custou energia, água e trabalho.

Um resíduo deve ser transformado no nível nutritivo mais alto possível, e só o que já não pode alimentar desce para o nível seguinte.

Esta hierarquia foi formulada por Paul Olivier, que trabalha há muitos anos com pequenos agricultores no Vietnã e no Laos. A BiocharKool a aplica e a adapta a cada território.

Os 4 níveis de transformação dos resíduos orgânicos

Classificados por valor nutritivo decrescente.

1

O que ainda se come

Restos de cozinha, produtos não vendidos ou danificados de supermercado, bagaço de cervejaria, subprodutos da pesca e de matadouros.

→ Ração animal (cozida, fermentada). Nem composto, nem biogás.
2

Os dejetos

Esterco e cama de frango frescos, excrementos humanos recolhidos em banheiros secos.

→ Larvas de mosca-soldado-negra e minhocas, que alimentam aves e peixes. O resto vira vermicomposto.
3

O verde não comestível

Grama cortada, folhas, plantas tóxicas, camas de animais carregadas de urina.

→ Composto. Se fosse comestível, estaria no nível 1.
4

O marrom e o lenhoso

Cascas, caroços, ramos de poda, resíduos florestais, mato e plantas invasoras lenhosas: o que não composta bem.

→ Calor limpo e biochar, por gaseificação ou pirólise.

O nível 4 fecha o ciclo

O biochar não é um fim em si. Adicionado à ração fermentada do nível 1, passa aos dejetos do nível 2, enriquece-se na cama e no composto do nível 3 e termina no solo, carregado de nutrientes e microrganismos.

Biomassa lenhosa → biochar → ração e camas → composto → solo → plantas → animais e pessoas

O carbono permanece no solo durante séculos. Saiba mais sobre o biochar →

A terra, um dos quatro elementos

O biochar toca os quatro elementos: nasce do fogo (a pirólise), filtra o ar e a água e alimenta a terra. Esses quatro elementos são também as necessidades básicas de toda atividade humana, e uma comunidade que os domina localmente se mantém de pé quando o resto vacila.

Fogo

Aquecer-se, cozinhar, secar, transformar. Com resíduos em vez de lenha de floresta ou combustíveis fósseis.

Ar

Filtrar o ar e o biogás, conservar os alimentos.

Água

A mais vital: sem água, morremos em três dias. Filtrá-la, lavar-se, irrigar, captar a chuva e a umidade do ar, e até produzir energia com ela (roda d’água, ondas, carneiro hidráulico).

Terra

Devolver ao solo o que lhe foi tirado e armazenar nele carbono por séculos. É por ela que a BiocharKool começa.

Robustos em vez de performáticos

Um sistema otimizado para um único objetivo quebra no primeiro choque. Buscamos a robustez, no sentido do biólogo Olivier Hamant: ciclos simples, redundantes, reparáveis no local, que continuam funcionando quando a energia, os preços ou o clima oscilam.

Na prática: low-tech que você mesmo fabrica e conserta, materiais locais e pouca dependência de insumos distantes.

Aberto para se espalhar, avançado para a indústria

O objetivo principal: que o maior número de pessoas se aproprie desses modelos regenerativos e os reproduza, rápido e de forma simples. Dois caminhos se completam.

A versão aberta

Low-tech, fabricável com ferramentas comuns, reparável sem especialista. Projetos, protocolos e medições compartilhados livremente, para fazendas, espaços comunitários, municípios e particulares.

A versão industrial

Para poderes públicos e indústrias que precisam de vazão, automação ou certificação: equipamentos mais avançados, protegidos e oferecidos sob licença. Eles financiam a pesquisa e a versão aberta.

A BiocharKool está sendo construída como cooperativa de trabalho (SCOP): os lucros servem ao projeto e a quem o faz, não a acionistas externos.

O que a BiocharKool faz

Mapear

Identificar os fluxos orgânicos que um território perde e o seu nível real.

Projetar

Desenhar os ciclos e dimensionar os equipamentos: balanços de matéria, energia, custos.

Construir e compartilhar

Acompanhar a execução, medir em quilos, kWh e euros, publicar os projetos para que outros os reproduzam.

Este site não vende biochar. Ele apresenta um método aberto para quem quiser aplicá-lo onde vive.

Para quem

Poderes públicos locais e comitês de bacia, fazendas e horticultores, cervejarias e negócios de alimentação, espaços comunitários e condomínios: todos os que hoje pagam para se livrar do que poderia alimentá-los.